Achados e perdidos do Campus Higienópolis recebe e guarda objetos peculiares, de perna mecânica a caixas de Viagra

Por Camilla Jarouche e Larissa Yaemi

As catracas do campus Higienópolis do Instituto Mackenzie já chegaram a registrar 135 mil pessoas em um único dia, o equivalente a uma cidade de médio porte. Com tanta gente, é normal que muitos acabem esquecendo alguns bens pelo local. Quando se trata de algo de alto valor, a maioria acha que foi furtada e por isso nem tenta procurar. Porém, para os esquecidos de plantão, vale a pena checar o setor de Achados e Perdidos: diversos objetos, incluindo smartphones, estão guardados à espera de seus donos. Localizado no prédio 35, o serviço é administrado pelo Departamento de Segurança do Instituto.

O sistema usado é baseado no Achados e Perdidos de outras Universidades e do Metrô de São Paulo, nos quais os objetos são lacrados em sacos plásticos e etiquetados com informações de quem o encontrou, quando e onde. Para retirar um objeto, é necessário especificar detalhes para a confirmação, como por exemplo, no caso de pendrives, em que o suposto dono, além de detalhes físicos do aparelho, deve dizer o conteúdo, que é aberto na sua frente.

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Orlando Taveiros, responsável pelo setor de Segurança

“É tudo bem organizado, só falta o povo não perder mais coisa porque não tem mais onde pôr”, diz Orlando Taveiros (55), gerente da Segurança do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Por conta da falta de espaço, é necessário dar destino ao que é encontrado. Alimentos são descartados depois de 24 horas. Já o armazenamento dos objetos funciona em um sistema 3-6-9, isto é, produtos de baixo valor ficam guardados por 3 meses, de médio valor por 6, e os de alto valor por 9 meses, período que pode ser estendido dependendo do objeto.

Depois desse período, aparelhos eletrônicos vão para o lixo específico. Coisas como roupas e material escolar são encaminhados ao setor de Responsabilidade Social, que repassa as peças para instituições de caridade. “Não doamos para funcionários para evitar situações constrangedoras”, explica Taveiros.

Nos seis anos em que trabalha no Mackenzie, Taveiros já viu muita coisa peculiar, entre eles uma perna mecânica, caixas de Viagra e um vibrador feminino. Há também diversas bijuterias e relógios, entre eles alguns de altíssimo valor, como um Cartier avaliado em R$12 mil.

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Setor de achados e perdidos guarda dezenas de relógios

Alessandra Quintanilha (19), aluna de Psicologia da UPM, cuida da recepção dos Achados e Perdidos no período da tarde e diz já ter presenciado alguns casos curiosos, como uma garota procurando um saco de ração de cachorro. Dentre o que é encontrado, Alessandra diz que cartões de banco e TIA são os campeões, além de material escolar. “Por dia, mais ou menos 5 estojos”, estima. 

Outros objetos de destaque são pendrives: o setor armazena atualmente cerca de 600. Mas o recorde de coisa mais encontrada em um único dia é de guarda-chuvas: 348, dentre quebrados e em bom estado.

Por fim, Taveiros diz o quão importante é identificar seus objetos, para facilitar em caso de perda, e brinca: “Perdeu? Venha procurar no prédio 35. Achou? Venha entregar no prédio 35.”

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