A internet abre espaço para novos talentos, mas gostar de futebol não basta para uma carreira de sucesso, dizem profissionais da área; é preciso gostar de Jornalismo.

Por Gustavo Iglezias e Fábio Ribeiro

O desafio hoje do jornalismo esportivo é conseguir achar o seu público em uma era de grande pulverização midiática, com o público recebendo informações por meio de uma grande variedade de plataformas. A opinião é do professor de Jornalismo Esportivo da Universidade Mackenzie, Anderson Gurgel. Segundo o professor, a internet abriu espaço para novos atores e aumentou a disputa pela audiência. Não é mais preciso um emprego na mídia tradicional para chegar ao público. Um exemplo é o YouTube e as redes sociais, lugares em que é possível encontrar especialistas em um determinado esporte que não possuem espaço na grande mídia.

Para o jornalista Gian Oddi, comentarista esportivo e editor-chefe de mídias digitais da ESPN, dominar as técnicas de comunicação nas redes sociais é fundamental para quem quer se destacar no Jornalismo Esportivo, uma boa porta de entrada. Ele diz que conseguiu o emprego dos sonhos quando foi instigado a propor mudanças no site da Revista Placar. Oddi participava do processo seletivo para uma vaga na redação e percebeu que tinha de se esforçar ao máximo. “Fui para casa e trabalhei para caramba. Fiz um projeto que sabia que não havia a menor condição de fazer aquilo, mas precisava mostrar que estava a fim de fazer a coisa mais legal e trabalhei”, contou o jornalista.

Em um mercado altamente competitivo, o profissional da área esportiva precisa ter conhecimento não só sobre times, estratégias e competições, mas das diversas técnicas jornalísticas. “Gostar de futebol não basta, é preciso gostar de Jornalismo”, diz João Paulo Cappellane, repórter e apresentador da Radio Bandeirantes. “A melhor arma de um jornalista é a pergunta, a indagação”, acrescenta.

O fotojornalista Ricardo Correa, com passagens pelas revistas Placar e Veja, diz que para se destacar no Jornalismo Esportivo é preciso ter uma marca própria, um diferencial em relação aos demais profissionais. “É uma questão de pegar o seu melhor e entrar de cabeça, é fazer bem feito aquilo que lhe for atribuído, é pegar cada oportunidade e brilhar”, diz o jornalista. “Sempre procurava me posicionar de modo que tivesse um ponto de vista próprio”, comentou. Uma de suas fotos ilustra perfeitamente essa ideia. Nas Olimpíadas de 2000, em Sidney, um dos quatro atletas da equipe brasileira de revezamento 4 x 100m fez uma inesperada cambalhota durante a premiação no pódio, e somente Correa conseguiu registrar o momento.

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