Estudantes LGBT encontram apoio no Coletivo Mackenzista para enfrentar hostilidades no campus 

Por Caroline Vaz e Gabriel Nunes

O estudante de Direito Felipe Martins, 19, chegou ao Mackenzie no ano passado. Homossexual, diz já ter sofrido homofobia dentro do campus, mas foi no Coletivo LGBT que encontrou apoio e segurança para lidar com o preconceito de colegas e até de professores. “Eu só bati no meu peito e disse que era gay quando entrei na faculdade”, contou o aluno, que diz enfrentar constantemente represálias veladas, como olhares tortos e resposta atravessadas. “Não foram poucas as vezes em que eu recebi péssimos olhares de professores por cruzar as pernas e agir da forma que me convinha.”

As pichações homofóbicas encontradas nos banheiros da Engenharia em fevereiro deste ano assustaram Felipe, que ingressou no Coletivo LGBT disposto a lutar por mais respeito. Indignado com o ódio homofóbico observado entre alguns estudantes, o aluno de Direito diz ter orgulho de pertencer ao grupo. “O único lugar em que eu me chamo mackenzista é no Coletivo.”

O Coletivo LGBT foi organizado em 2015. Começou como uma iniciativa de alunos do Direito, mas logo reuniu alunos homossexuais, bissexuais e transexuais de todo o campus. O estudante de Jornalismo Victor Mello, 21, acredita que “a existência dos coletivos faz as pessoas pensarem mais antes de sustentarem alguma opressão”. Para Victor, a participação no grupo fez com que ele começasse a se sentir parte do ambiente universitário e perceber o grande número de pessoas que pensam como ele e se dispõem a lutar por causas sociais.

O objetivo do Coletivo LGBT é oferecer apoio e amparo aos estudantes. “A gente se propõe a acolher os LGBTs da universidade e fazer com que eles não se sintam acanhados de viverem como bem entenderem”, explica Victor. O grupo não tem vínculo institucional, ou seja, não faz parte de centros acadêmicos ou de grupo de estudos. É algo dos alunos para os alunos. Segundo o estudante de Economia Umberto Laurindo, 22, o Mackenzie não assume uma causa LGBT porque, quando se aborda a homossexualidade, existe muito confronto com os dogmas da Igreja.

O Coletivo LGBT se organiza pelo Facebook e promove atividades como debates, análise de filmes sobre o tema e eventos de arrecadação para ONGs com causas sobre gênero e sexualidade. Recentemente, o grupo se vinculou a ONG Engajamundo, de liderança jovem para o público jovem, que lida com diversas frentes, inclusive a de gênero. No mês passado, durante o dia das boas ações, no qual várias ONGs se juntam para realizar alguma ação em São Paulo, o Engajamundo realizou o projeto Transaparência, no CRD (Centro de Referência da Diversidade), onde transexuais foram convidadas para um “dia de princesa”.

Em fevereiro, o coletivo promoveu um manifesto pacífico, com os alunos andando de mãos dadas pelo campus Higienópolis a fim de demonstrar apoio a todos os LGBTs da universidade. No mesmo dia, pichações de cunho homofóbico foram encontradas nos banheiros de Engenharia. “Gay não é gente. Fora do Mackenzie, Bolsonaro 2018”, eram os dizeres de ódio que sujavam as portas do banheiro, onde, no ano passado, já foram registradas palavras racistas e machistas, oprimindo os alvos das pichações.

Em nota de repúdio publicada no Facebook, o Coletivo LGBT, junto com a FFM (Frente Feminista Mackenzista), o Afromack e a Frente Ampla Mackenzie, exigiram apuração do caso e uma posição oficial da Reitoria. “É repugnante que uma expressão de apoio, fraternidade e amor tenha uma reação tão odiosa e fascista”, declararam. O Mackenzie respondeu em nota: “por seu princípio confessional esta Universidade não faz, não apoia e condena quaisquer tipos de discriminação, repudia violência física e verbal e seguirá defendendo seus princípios de respeito e amor ao próximo”.

Advertisements