Nossa reportagem acompanhou a abertura da exposição “Cícero Dias: Um percurso Poético”, que reúne 125 obras do celebrado pintor nordestino.

Por Gustavo Carramenha e Larissa Mora

Pintor nordestino que retratou com vigor e muita cor o cotidiano brasileiro, Cícero Dias, um dos artistas contemporâneos mais importantes do país, ganha, finalmente, uma exposição completa e merecedora de seu legado. A mostra “Cícero Dias: um percurso poético” é destaque no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo até o dia 3 de julho, em uma “oportunidade raríssima para as pessoas verem o conjunto da obra”, como diz a curadora Denise Mattar.

A exposição, que conta com 125 exemplares do artista retirados de museus de todos os cantos do mundo, revela uma trajetória de luta e amor pela arte e cultura brasileiras. “É uma exposição de obras que pulam em cima de você. Cada obra tem um mundo inteiro dentro dela, e é tão cheio de informação que se estabelece uma relação muito intensa com as obras”, aponta Yuri Fomin Quevedo, coordenador de conteúdo da exibição.

Intrigante pela essência metamórfica, a exposição é excelente para todas as idades, e não é preciso ser fã de arte para aproveitar a experiência. O ambiente é organizado de forma que facilite a compreensão do autor e suas obras, apresentando explicações e legendas comentadas em todo o percurso. Segundo Sylvia Dias, curadora honorária e filha do próprio Cícero, o objetivo é permitir que todas as gerações, em especial os jovens, conheçam e reconheçam a importância do trabalho e da memória deixada pelo pai.

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As obras são uma viagem histórica por momentos marcantes do Brasil e do mundo, como o Modernismo, as intrigas do Estado Novo e a Segunda Guerra Mundial, fases turbulentas da vida de Dias. Tais momentos afetam explicitamente o trabalho do artista, causando mudanças radicais na pintura, tanto temáticas quanto estruturais e que valem a pena serem observadas.

Apesar da transformação no estilo, Cícero Dias jamais perdeu o foco temático e se manteve firme na representação do nordeste e do corpo feminino. Para Maria Ana do Vale, amiga do artista, as obras são inspiradoras. “Eu acho que é de uma brasilidade encantadora que resgata toda essa pureza brasileira, esse encantamento de cores e formas. Há essa delicadeza do povo brasileiro do norte, do nordeste, que é uma coisa muito pura, muito lírica”, disse Maria Ana em entrevista à nossa reportagem na abertura da exposição.  Ela acredita que a mostra chegou em boa hora, porque mostra um Brasil além das crises, esperançoso.

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